terça-feira, 25 de setembro de 2012

Esta manhã foi diferente de todas as outras. Ela não acordou cedo como de costume e muito menos preparou o café, ele a chamava mas ela custava a responder. Maria andava cansada e suas pernas mal a mantinham de pé, suas mãos já não aguentavam segurar o copo de água. Esta manhã ela não sentou na varanda para ver a rua, não fez o almoço e o deixou com fome, esta manhã ela não foi à padaria e não falou com ninguém. Sabia ele que logo a estaria perdendo e hoje resolveu abraçá-la e beijá-la na testa como há 25 anos atrás. E essa havia sido a despedida pois na tarde deste mesmo dia, quando deitou para assistir sua novela, ela fechou os olhos num sono profundo, num sono eterno.

Marcele Gorito.

domingo, 16 de setembro de 2012

Não sei bem porque mas eu gostava de você, de um jeito torto, de um jeito errado mas gostava. Se era amor não sei, só sei que era forte. Talvez tenha passado, ou talvez eu não tenha pensado muito em você, mas ainda assim você aparece em meus sonhos. Fico me perguntando o porque disso, o porque dessa coisa de gostar de alguém quando esse alguém nem mesmo te faz bem. Pois é, você não me fez bem e tenho certeza de que nunca fará, não é de seu feitio. Eu gostei de você, de verdade. Era bem real, mesmo quando você falava errado,não entendia as piadas ou se comportava feito retardado. Eu gostei de você mesmo quando você se fazia ignorante e me tratava mal, gostei de você mesmo quando você estava errado sobre qualquer assunto, gostei de você e te dei força pra tudo. Não esperava que retribuísse, aprendi a fazer e sentir as coisas sem esperar nada em troca. Mas dói sabe? Isso eu não tenho como negar. Dói muito. E mesmo quando doeu eu gostei de você. E pra dizer a verdade? Gostei ainda com mais intensidade. 

Marcele Gorito

quinta-feira, 30 de agosto de 2012


  Pode o tempo passar, pode a saudade bater, pode alguém criticar mas eu ainda vou te amar, podem entrar no nosso caminho, podem colocar espinhos, podem fazer intrigas
mas a intriga da oposição é só intriga da oposição. E nós somos muito mais que isso, você e eu sabemos bem disso. Eu te amo muito.
Obrigada por existir.
Obrigada por fazer parte da minha vida.
Obrigada por fazer parte de mim.
Obrigada por me entender e me completar.
   AMIGA-IRMÃ, quer coisa mais forte que essa? Te amo.

                      Marcele Gorito

sábado, 25 de agosto de 2012


...
“Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.”

Caio.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012


"Chegara alguém com o coração tão puro como o seu, amor pra dar e vender. Amor cheio de devaneios, amor quente, amor manso. Tão iguais que não se completavam, eram o mesmo ser."
Ele conseguia tocá-la só com as mais doces palavras, só com um simples telefonema. Recusara a acreditar. Tanto ele quanto ela.
Doce ilusão ou talvez simples amor de verão, amor que se fazia presente, mas do nada se tornou ausente.
Ausente de pessoas, ausente do próprio amor. E nisso tudo ficou o nada, o vácuo, a falta de tudo, a falta daquilo que um dia foi completo.

Marcele Gorito

sábado, 18 de agosto de 2012

Coração de pedra, resistente à tudo e à todos. Amor?! Ela não sabia o que era, tampouco
tinha sentimentos. Erroneamente Beatriz havia se tornado assim, era um meio que havia
encontrado para se proteger e não mais se machucar.
Começou a pensar mais em si e embora amasse João tanto quanto ele a amava, não
conseguia fazer-se transparente, ela amava mas amava sem saber, há muito desistiu de sentir.
João era meigo, o cara romântico e talvez o último, fazia juras e mais juras, porém, embora
amasse Beatriz com todas as forças errara muito com ela e apesar de ser desculpado, cada dia
mais a perdia.
Beatriz passou a fazer novos planos para seu futuro e não sabia mais se João faria parte deles.
O desgosto, a decepção, era maior que o amor e agora ela não era mais tão necessitada dele,
novas pessoas conseguiam preencher esse vazio.
Só restava à João a conformidade.
Se a quisesse precisaria entender que seria daquele jeito, do jeito que ele fez com que ela se
tornasse.
E ainda que estivessem juntos, cada um estava indo pro seu lado e no final da noite um "tudo
bem" de consolo.





Marcele Gorito.
Sentada ali no centro daquela velha varanda com milhares de pensamentos atormentando-me junto às lembranças que não saíam de minha cabeça, as imagens da infância, de um dia feliz e sem compromisso.
Ouvia chamar meu nome, era minha mãe chamando-me para o almoço e de repente eu tinha 6 anos, morava na velha casa da avenida. Meu pai estava alguns anos mais jovem.
Eu brincava na varanda e ouvia a risada de meus avós, era gostoso e aconchegante, tinha carinho e amor, era sábado de sol e a churrasqueira estava acesa, a brisa balançava meus pequenos cachos e minha prima corria ao pegar-me no colo.
Tantas lembranças, tantas saudades e quando dei por mim alguém me sacudia. Abri os olhos e era meu irmãozinho, com seus 3 anos apenas, que me olhava com sorriso estampado nos lábios e ao mesmo tempo beijava-me o rosto. E de repente eu não mais tinha 6 anos, agora era uma mulher, uma mulher doce e frágil.


Marcele Gorito.